Amigos,
Acabei de falar com o Miguel, ela ainda está super mal, com uma amigdalite braba, não vai poder ir à aula hj. Quem tiver o telefone dos colegas, por favor, faz uma rede de comunicação.
Bjos grandes,
Mari.
OBS: Indicações do Miguel: continuar com as leituras e reflexões, conforme o combinado.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
terça-feira, 17 de maio de 2011
História de Lenços e Ventos
Pessoal, vou colocar aqui alguns apontamentos sobre a peça, levantados em aula:
- Estréia em fevereiro de 1974 no Rio de Janeiro
- Influência da contra-cultura: idéia, forma e conteúdo
- Prólogo: rompimento das fórmulas antigas
- Metalinguagem
- Teatro de Formas Animadas
Deixo aqui este espaço para que vocês também possam compartilhar e acrescentar mais informações sobre a peça. Segue também o link do livro sobre Ilo Krugli, dei uma olhada e vi muitas fotos interessantes, ainda não deu tempo de ler, mas vale muito a pena se aprofundar nesse trabalho do Ilo e do Ventoforte.
Ilo Krugli, poesia rasgada: http://aplauso.imprensaoficial.com.br/livro-interna.php?iEdicaoID=267
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Ventanias...
Queridos colegas,
Amanhã não poderei comparecer à aula, peço desculpas, e escrevo abaixo algumas das impressões que tive ao ler os textos “O iniciado do vento” e “A menina e o vento”, conto de Aníbal Machado e peça de Maria Clara Machado, respectivamente. Ainda tudo “fresco”, um tanto bagunçado, um tanto emocionado...
O vendaval poético dos textos (o segundo inspirado no primeiro) e sua intrínseca força política estão “ventarolando” forte em mim. Bonita mesmo essa mistura potente de imagem-reflexão que as obras criam.
Nada didática, nada moralista, e sim extremamente libertadora, engajada, ousada, corajosa, criativa, aventureira (tanto na forma como no conteúdo), como as crianças de doze anos, a peça de Maria Clara Machado se sem dúvida era revolucionária em sua época de criação, visivelmente contestadora do estado de ditadura militar dos anos 60, certamente ainda guarda, pela força poéticas das imagens herdadas do “pai”, ” Iniciado do Vento”, os germens dessa revolução.
Os personagens-imagens-metáforas se espelham nos dois textos:
- Vento, ventania , brisa– liberdade forte que dá medo, devaneio poético, artístico, que – desarruma, bagunça – a moral, os “bons costumes”, a polícia, a justiça.
- Zeca da Curva e Maria – meninos de 12 anos que aprenderam a ventarolar, a voar com o vento. A ousadia, a renovação, a revolução, o extraordinário – poesia.
Na Carta de Maria à mãe:
“As coisas mostradas a gente aprende mais depressa e mais bonito. Até acho que já amo mesmo o nosso Brasil (...) Também vamos fazer umas desordens por aí, mas é para variar da vida de todo dia, depois eu volto”.
- O engenheiro e Tia Aurélia – Adultos que se deixam também encantar pelos devaneios infantis, que também amam o vento, a liberdade – também querem voar, mas não têm a mesma disposição e coragem dos 12 anos, dessa juventude.
- Adelaide (e Adalgisa, por tabela, por ser sua “puxa-saco”): “Lugar de moça é no piano, quem vive na rua não tem tutano...” . A disciplina, a ordem, a autoridade, a austeridade – a moral vigente – a professora de educação cívica (“É preciso amar o Brasil”) – mandona, fechada ao novo – a preservação dos costumes.
- O escrivão e o comissário – a polícia, a ditadura, que manipula os fatos a seu favor, para “defender a ordem estabelecida” (comissário). Que violenta, que prende sem justificativa, que condena sem provas. Que tapam a boca da imprensa (como se diz literalmente no final da peça; uma imprensa, no entanto, também ridícula, sensacionalista, capitalista, superficial). Maliciosos e ridículos em sua burrice, em seu autoritarismo estúpido.
Nos dois textos, a luta: maior que a violência do homem, é a força do vento. Força flúida, força invisível à quem não quer ver (O escrivão: “Para mim, vento é vento e nada mais...”; “PEDRO: Senhor comissário, e se dois e dois não forem quatro, e o vento tiver cacunda, hem? E a policía... OS TRÊS: (Interrompendo) : E a polícia o quê? PEDRO: Não entender nada de vento e eu estar dizendo a verdade?”); força do novo, da coragem, da liberdade – da desordem, no melhor sentido, da desordem necessária para uma nova ordem.
“Qualquer coisa havia mudado na fisionomia moral da cidade. O vento começou a existir. Descobriram-lhe um sentido novo”.
MARIA E PEDRO: “Não se prende o vento... não se prende o vento!”.
O pai que está “viajando” (um exilado?), uma família inteira presa sem provas, a polícia que ao invés de ajudar as pessoas, fazer justiça, busca encerrar qualquer contestação da ordem; que cala a imprensa; que suspeita de todos; “É preciso amar o Brasil”, ensina a Tia Adelaide – porta-voz da ordem, da classe média burguesa, velha, amedrontada, conservadora, ignorante do que realmente está acontecendo: Mas que Brasil? Por quê? Como?
“A menina e o vento” não poupa seu público da realidade, ela retrata a sociedade dessas crianças de doze anos, como Maria, como Pedro, em 1962.... uma sociedade onde voar com o vento é perigoso... Sem fadas, sem lições; Imagens poéticas, mensagens claras: uma sociedade de opressão, de ditadura, que é preciso ter coragem de contestar, que é preciso mudar, arejar, bagunçar, enfim, ventar, reinventar... Pedro não quer mais sorvetes, que compram seu silêncio...não há recompensas, não há fugas... é preciso achar a irmã.
A criança é agente da mudança, e não um ser no qual “incutir” lições da tradição, da experiência; é a força da juventude, a coragem da juventude que se valoriza aqui; ela é mais do que “a experiência”.
Abaixo seguem dois textos curtos retirados de “O livro dos Abraços” (de Eduardo Galeano); são simples, mas na minha opinião, muito contundentes, bem humorados, políticos. Acho que representam um pouco as reflexões que temos feito ao longo do curso:
A arte para as crianças
Ela estava sentada numa cadeira alta, na frente de um prato de sopa que chegava à altura de seus olhos. Tinha o nariz enrugado e os dentes apertados e os braços cruzados. A mãe pediu ajuda:
- Conta uma história para ela, Onélio – pediu. – Conta, que você é escritor...
E Onélio Jorge Cardoso, esgrimindo a colher de sopa, fez seu conto:
- Era uma vez um passarinho que não queria comer a comidinha. O passarinho tinha o biquinho fechadinho, fechadinho, e a mamãezinha dizia: “Você vai ficar anãozinho, passarinho, se não comer a comidinha”. Mas o passarinho não ouvia a mamãezinha e não abria o biquinho...
E então a menina interrompeu:
- Que passarinho de merdinha – opinou.
A ARTE DAS CRIANÇAS
Mario Montenegro canta os contos que seus filhos lhe contam. Ele senta no chão, com seu violão, rodeado por um círculo de filhos, e essas crianças ou coelhos contam para ele a história dos setenta e oito coelhos que subiram um em cima do outro para poder beijar a girafa, ou contam a história do coelho azul que estava sozinho no meio do céu: uma estrela levou o coelho azul para passear pelo céu; e visitaram a lua, que é um grande país branco e redondo e todo cheio de buracos, e andaram girando pelo espaço, e saltaram sobre as nuvens das estrelas, e o coelho voltou para o país dos coelhos, e lá comeu milho e cagou e foi dormir e sonhou que era um coelho azul que estava sozinho no meio do céu.
Assinar:
Comentários (Atom)