sexta-feira, 8 de abril de 2011

Considerações acerca do surgimento do Teatro Moderno no Brasil, segundo Décio de Almeida Prado.

Vou analisar aqui algumas questões que me surgiram durante a leitura do livro O Teatro Brasileiro Moderno, de Décio de Almeida Prado, dialogando também com as reflexões e discussões em sala de aula sobre o surgimento do Teatro Moderno no Brasil.

‘Este livro retoca em alguns pontos e expande em muitos outros o ensaio que publiquei, sob o título “Teatro: 1930-1980”, na História Geral da Civilização Brasileira ...’ (PRADO, 2003, pág. 9)

“... por em relevo apenas o que me pareceu significativo em termos de realização ou de repercussão, encadeando os fatos numa série que, englobando igualmente idéias, aspirações, práticas de palco, casas de espetáculo, plataformas artísticas ou políticas, ajuda-nos a situar melhor cada obra em sua exata dimensão. (PRADO, 2003, pág. 10)

· Décio analisa quais aspectos para o surgimento do Teatro Moderno no Brasil?

Em sala de aula nos indagamos a respeito da forma como o tema é abordado. Percebemos que ele prioriza o texto como fio condutor das mudanças do teatro brasileiro. Estas questões surgem logo no prefácio:

‘... que o meu intuito principal foi o de estudar o “drama”, quer dizer, os autores, mas sem nunca perder de vista o “teatro”, pano de fundo sem o qual as próprias peças não adquirem o necessário relevo.’ (PRADO, 2003, pág. 9)

Outro fato interessante é que ele assume de certa forma, um ponto de vista pessoal, não distanciado do objeto em questão.

“... uma tentativa para apreender e ordenar logicamente, a partir de um ponto de vista que se sabe pessoal, mas se deseja objetivo, o que de mais marcante sucedeu no teatro brasileiro entre 1930 e 1980.” (PRADO, 2003, pág. 10)

“Se algum motivo interior me impeliu a compor esta síntese terá sido provavelmente o de deixar por escrito um testemunho sobre cinqüenta anos de atividade que acompanhei em sua totalidade, de longe ou de perto, passando de espectador juvenil a crítico...” (PRADO, 2003, pág. 10)

Mais a frente, o próprio autor lamenta ter deixado de lado outras categorias que poderiam ter contribuído para a análise do panorama do teatro moderno.

“Quero confessar, para desencargo de consciência, que me dói um pouco a ausência, nesta minha sinopse crítica, de cenógrafos e críticos, duas categorias que, no afã de cingir-me ao essencial, acabei deixando de lado.” (PRADO, 2003, pág. 11)

Décio, ainda no prefácio, delimita um período em que os autores brasileiros se destacaram no panorama nacional, sendo um momento de grande ebulição de novos autores, mas que logo a seguir se esmorece:

“... o presente ensaio só atinge o seu foco entre 1940 e 1970, quando se dá entre nós o deslanche do teatro moderno, com o surgimento de um bom número de dramaturgos importantes. A década de trinta figura nele mais como introdução, ocorrida possivelmente pelo contraste a reviravolta ocorrida logo a seguir, e a década de setenta como uma espécie de epílogo, em que o impulso renovador, sobretudo entre os autores, começa a perder força e a duvidar de si mesmo.” (PRADO, 2003, pág.11)

O que apreendemos nestas considerações é o fato do autor ver o texto como mola propulsora do acontecimento teatral. Mas se o teatro dito antigo estava preso exatamente ao texto, sendo o uso do ponto de primordial valor para a cena e os atores, como analisar o surgimento do moderno teatro brasileiro focando o texto, a dramaturgia dos novos autores brasileiros?

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